Mostrando postagens com marcador Por Marcelo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Por Marcelo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 26 de julho de 2011

Marcelo e Fernanda em: A Falta I

Cabelos cacheados e olhar de onça. Mulher mais bonita do mundo, com uma doçura fora do comum, sabe? Eu sempre viajei na forma como ela escondia as curvas do corpo e ainda assim conseguir ser sexy, sem forçar. Com aquele lance todo de morder os lábios e balançar a cabeça quando não entendia exatamente o que eu estava falando.

Fernanda é o tipo de garota que você simplesmente deixa passar. E se arrepende, como eu estou aqui agora sentado nessa cadeira de cinema, assistindo ''Transformers 3'' e desejando amargamente que a Megan Fox voltasse pra essa porcaria. É assim que eu fico na minha vida, desejando que a Fernanda voltasse pra mim. E que merda, porque eu estou pensando na Megan Fox e lembro dela? Tá errado isso.

Só Fernanda pra me contar dos filmes idiotas, pra me contar dos Smiths, e me fazer sair de casa dez horas da noite pra comprar sorvete de -eca- menta. E o pior era quando ela me fazia tomar essa porcaria e fingir que estava gostando.

Desde que Fernanda e eu decidimos terminar, ficou em mim uma dor que começou na sola do pé. Não é estranho, afinal era ela quem me cobria os pés à noite quando fazia frio e desde que se foi, eu sempre esqueço de fazê-lo. Dói muito.

Odeio pensar nela, odeio querer que ela volte e me odeio por ter feito o que fiz.


....

domingo, 29 de agosto de 2010

Marcelo e Fernanda em: A biblioteca II

15 de março, de 2009
FROM: MARCELO

Acordei meio apressado e nem notei que havia calçado uma meia branca e outra cinza. Precisava chegar na faculdade e procurar a Fernanda.
Só percebi quando o Andy me cutucou no ônibus e fez piada ''cor-sim, cor-não''. Dei-lhe uns tabefes e comecei a contar sobre o dia anterior.

- Tá, você conheceu uma garota super legal e maravilhosa no ponto de ônibus e viveu momentos felizes e romanticos com ela? Que bom, Marcelo. Mas que horas você começa a contar qual era a cor da calcinha dela? Ou o que tem em cima da mesinha de cabeceira? E outros detalhes... - esse é o Andy. Sarcástico e irônico. Não acredita no amor, acha que é fantasia. Não acredita em nada que não o dê uma bela noite de sexo. Eu chamo isso de idiotice, ele chama de pés-no-chão. O Andy é um idiota. Mas é o meu melhor amigo desde o ensino médio, e pra minha total infelicidade, passou no vestibular pro mesmo curso que eu. História.

- Qual é, cara. Foi uma conversa, o único contato que tive com ela foi um beijo que ela me deu no rosto. Nem de longe sexual. E hoje eu vou procurá-la. Sei lá, quem sabe não encontrei alguém dessa vez?
- Cara, essa seca está lhe tornando um babaca.
Ele riu. Eu também ri, mesmo sem concordar totalmente.

Na faculdade, fui à secretaria saber da Fernanda. Agora, aqui fica registrada uma dica para uso posterior: Sempre perguntar o sobrenome. 
Não gosto nem de lembrar a minha cara ao olhar pra a Dona Vilma e dizer:
- Bom dia, dona Vilma... tem alguma Fernanda aqui na faculdade?
Há milhares de alunos pelo campus. A dona Vilma tem 75 anos. Ela não teria motivos pra lembrar de Fernanda alguma. A minha sorte, é que a minha (esse pronome não assume qualquer sentido possessivo, nesta frase) Fernanda, era especial.

-Se estiver falando da Nanzinha, a moça da biblioteca, ela provavelmente já chegou. E está lá... agora..
Não esperei ela terminar. Sabia dentro de mim, que a ''Nanzinha'', era a minha moça-do-sorvete-verde. Corri em direção à biblioteca parecendo um maluco. Devo ter me batido em várias pessoas sem pedir desculpas. Não havia tempo.

Cheguei arfando à biblioteca e não avistei Fernanda de primeira. Sentei para acalmar. A ''Nanzinha'' não era ela. Aliás, que tipo de apelido era esse? Nanzinha... quando ela fosse minha, eu não ia conseguir chamá-la de Nanzinha.
Pra não dar viagem perdida, resolvi escolher um livro pra ler. Fui na seção de policiais, queria algo pra ocupar a mente. Mas lá estava ela.

Sentada no chão, com uns 30 livros ao seu redor. Minha primeira reação foi me esconder atrás da estante, até agora não entendo o por quê. O problema é que ao me jogar com toda a força (desnecessária) para o lado, me bati na estante e derrubei um livro ''Confie em Mim - Harlan Coben''. A capa era azul. Passei um tempo olhando pra ele, e de repente o livro começou a levitar. Me afastei um passo e ao olhar direito, pude ver que havia uma mão levantando-o. Fernanda.

-Ei, moço. Deixou cair? - ela sorria. Tinha os cabelos presos numa espécia de trouxa mal-acabada, a maior parte da franja estava bagunçada. Seu aspecto era engraçado.
- É, sou um desastrado. Estou aqui pra... pegar esse livro, ouvi falar muito dele, quer dizer, dormi pensando nele ontem. - quê? - Então é isso...
-Ok, não precisava dessa explicação. Pode me acompanhar até o balcão. Eu registro ele pra você. - Ela continuava sorrindo e não parecia nem um pouco incomodada com seus cabelos arrepiados. Na verdade, eles realmente não faziam diferença. Ela estava realmente bonita hoje. Senti vontade de abraçá-la.

No balcão, enquanto registrava (de uma forma estranhamente lenta demais), Fernanda notou minhas meias.
-Nova moda huh? - disse, fitando-as.
- Ah, você também? - mostrei-me descontraído demais pro meu gosto - Saí com pressa hoje.. precisa procurar... o .. livro.
-O livro. Aham - ela mordeu os lábios ao dizer isso. Poxa, porque as mulheres fazem isso? Ela era linda. Tinha uma voz maravilhosa. Um corpo perfeito. Cabelos lindos e desarrumados. E mordia os lábios ao falar. Eu só podia estar ficando louco.

- Marcelo? Ei... - ela interompeu meu devaneio sacudindo a sacola nas mãos - Toma aqui. Leva isso - me entregou um papel verde, com meu nome escrito - Leva o tempo que quiser lendo. Só não perde isso. Nem machuca o livro. Tá certo?
-Tá - só deu pra dizer isso.
-Agora eu preciso ir.. tenho que continuar com as prateleiras... Bom te ver, Marcelo. Boa leitura. - E se foi.

Ela tinha a mania de ir embora me deixando sozinho. Ao olhá-la ir, hoje de jeans surrados e regata branca, eu senti mais vontade de abraçá-la.
Droga, por que mesmo eu não abracei?

O resto do dia não importa. Não encontrei Fernanda pelos corredores. Voltei pra casa e cá ficarei esta noite.
Lendo.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Marcelo e Fernanda em: O ponto de ônibus II

14 de março de 2009
FROM: MARCELO

O maldito ônibus já estava atrasado há 5 minutos. E eu lá em pé, há cinco minutos.
Foi quando conheci Fernanda.

Ela chegou tomando um sorvete na casquinha, era uma coisa verde e preta. Fiquei tentado perguntar de quê era, mas devia ser muito bom, porque ela tomava com uma vontade...
Fiquei olhando-a, pelo que pareceram horas e ela percebeu. Me sorriu sem-graça e se afastou dois passos. Eu quis rir. Mas esqueci como fazia. Os seus longos cabelos cacheados e seu rosto não me deixavam  pensar em mais nada.

Ih, cara...o ônibus! Esqueci do ônibus. Provavelmente ele já havia passado. Merda. Estressei.
Precisava de um cigarro. Catei no bolso e havia uma moeda de cinquenta centavos, um passe de ônibus e uma bala de menta, que devia estar ali faz tempo.
''Será que aquela moça fuma?'' - pensei. E fui lá.

"Oi, tem um cigarro?" - Ela me olhou agora como se eu fosse uma aberração. E falou, numa voz doce:
"Tenho não, moço, não fumo. Mas tenho Halls! Que é bem melhor!" - Ironicamente, eu senti uma vontade imensa de enfiar o pacote inteiro de Halls na boca. Detesto Halls. Aceitei, e quis continuar a conversa. Ela era muito linda!

"Não acredito que você não fuma! Estranha, você. Você toma sorvete verde... e não fuma."
Ela deu uma gargalhada e repetiu devagar ''Sor-ve-te ver-de''. E teve o que me pareceu uma crise de riso. Lindo sorriso, aliás. Quando ela finalmente parou de sorrir, me disse seu nome. Fernanda. E perguntou o meu. Falei um rápido ''Marcelo'', e então, a conversa andou.

Em poucos minutos, eu descobri que o sorvete verde, era de chocolate com menta, e que faziamos a mesma faculdade (informação mais preciosa. Estou anotando para não esquecer).
A essa altura, eu sabia que teria que ir andando pra casa. Mas quem ligava? Agora eu conhecia Fernanda.
O ônibus dela chegou. E ela me sorriu e disse:
"A gente se vê, Marcelo..."

Enquanto Fernanda se afastava, eu tive vontade de correr e puxá-la pelo braço pra que ficasse mais um pouco, ou então entrar no mesmo ônibus... E foi o que eu fiz. Mesmo sabendo que o caminho era completamente oposto ao meu, entrei naquele ônibus. Estava completamente vazio, exceto pelo cobrador, o motorista e nós dois. Ela sorriu ao me ver. E fez um sinal para que eu sentasse ao seu lado:

"Guardei um lugar pra você, Marcelo. Fiquei imaginando quanto tempo você demoraria pra subir aqui..." - Fui pego de surpresa. Gosto disso.
"Eu não demoraria, esse também é o meu ônibus." - Retruquei. "Então, garota-do-sorvete-verde, quer dizer que tens todos os cds dos Smiths?"
"Hmm, quero saber porque você acha que sorvete de menta não é bom. Você já provou, por acaso?"

E fomos assim, o caminho inteiro. Discutindo o gosto do sorvete e em intervalos, discutiamos política (ela entende muito mais que eu do assunto. Acho que vou ler mais a respeito), música (gostos parecidos, mas ela é muito romântica...), filmes (essa garota é maluca.O filme favorito dela é Taxi Driver! Ok, é um ótimo filme.. mas, o favorito? Onde entra O poderoso chefão nessa história? Ah, discutimos isso também)...

Eu não queria que o ônibus chegasse ao ponto. É estranho quando se conhece alguém tão rápido e não pára mais de conversar, e não quer sair de perto...
A Fernanda é esse tipo de menina. Que a gente não quer sair de perto. Notei sua roupa, enquanto ela falava animada das sequencias frenéticas do filme do DeNiro. Uma saia florida e uma blusa listrada. Ambas, blusa e saia, completamente fora de sintonia. Mas lhe caíam tão bem... era a garota mais bem vestida que eu havia visto na vida.

Agora, o ônibus parou.
"É aqui que eu desço" - Disse ela. "Não vai me dizer que aqui TAMBÉM é o seu ponto?" - Continuou, irônica.
"É, não vou lhe dizer se você não quiser que eu diga." -DE ONDE EU TIREI ISSO, MEU DEUS?
"Tchau, Marcelo." - e me beijou no rosto. Demoradamente. Fechei os olhos e me senti estúpido. Quando os abri, ela não estava mais ali.

Então éramos eu e o cobrador naquele ônibus que não ia na minha direção. Esperei uns minutos e desci.
Voltei andando pra casa. E pensando em Fernanda.